Fazer negócios no Brasil: principais insights para escritórios de contabilidade internacionais
As firmas internacionais de contabilidade, principalmente as da Ásia, estão cada vez mais voltando seus olhos para o Brasil, à medida que seus clientes expandem suas operações para a América Latina.
Um webinar recente da MCS Markup, empresa membro da PrimeGlobal , ofereceu informações valiosas sobre o mercado brasileiro, abordando desde considerações culturais até o complexo ambiente tributário do país e a infraestrutura digital emergente.
Entendendo o ambiente de negócios brasileiro
O Brasil representa a maior economia da América Latina, com um PIB superior a US$ 2,1 trilhões e uma base de consumidores que ultrapassa 210 milhões de pessoas. O país possui setores fortes em infraestrutura, energia, agronegócio e tecnologia, o que o torna um destino atraente para investimentos estrangeiros.
No entanto, fazer negócios no Brasil exige grande adaptabilidade. Alexandre Bragança, Sócio de Serviços de Transações da MCS Markup, enfatizou que investidores bem-sucedidos devem equilibrar procedimentos formais e informais, além de lidar com processos governamentais altamente burocráticos e um ambiente tributário complexo. O espírito empreendedor do país é notável, com 60% dos empregos gerados por pequenas e médias empresas, mas isso vem acompanhado de desafios que exigem profissionais locais experientes.
Fatores culturais desempenham um papel crucial nas práticas comerciais brasileiras. Embora o inglês seja amplamente utilizado em empresas multinacionais, o português continua sendo fundamental para o engajamento local, com apenas 5% dos brasileiros falando inglês fluentemente. Reuniões presenciais são priorizadas para demonstrar compromisso de longo prazo, e relacionamentos estratégicos com órgãos públicos e associações do setor são essenciais para a atuação no mercado.
Expansão de setores e oportunidades de infraestrutura
Marcelo Salles, sócio de Finanças Corporativas da MCS Markup, destacou a infraestrutura como um setor particularmente atraente para investidores asiáticos. O programa Novo PAC do governo federal alocou aproximadamente US$ 350 bilhões para investimentos em infraestrutura, combinando financiamento público e privado com oportunidades significativas para participação estrangeira.
As áreas prioritárias incluem energias renováveis, transmissão de energia elétrica, saneamento e infraestrutura digital. O Brasil enfrenta uma lacuna crítica entre a produção de energia a partir de usinas hidrelétricas, eólicas e solares e a capacidade de transmissão para áreas urbanas, criando uma demanda urgente por linhas de transmissão. O país mantém um dos maiores programas de privatização do mundo, que continua independentemente do partido político no poder. As empresas de contabilidade estão bem posicionadas para apoiar a due diligence, avaliações, estudos de viabilidade e estruturação de investimentos para transações internacionais.
Outros setores que apresentam expansão acelerada incluem o agronegócio, as fintechs e a logística, todos impulsionados pela digitalização e pela demanda global por soluções sustentáveis. Apesar das atuais taxas de juros elevadas, em torno de 15%, a inflação está sob controle, e o banco central sinaliza possíveis cortes em 2026, à medida que a estabilidade econômica se consolida.
Normas contábeis e desenvolvimentos em ESG
O Brasil formalizou a convergência de suas normas contábeis com as IFRS em 2007 por meio de um órgão normativo nacional (Comitê de Pronunciamentos Contábeis ou CPC), que traduz e adapta os princípios das IFRS para aplicação local. Essa convergência aprimorou a comparação das informações financeiras com outros países e facilitou o acesso de investidores internacionais.
Daniele Scrivani, sócio de auditoria da MCS Markup, explicou que, embora o Brasil tenha adotado integralmente as IFRS por meio do arcabouço do CPC, alguns desafios práticos persistem. As normas mudam com frequência e os processos de atualização locais podem ser mais lentos. Além disso, existem diferenças entre o tratamento contábil e tributário das IFRS, principalmente para empresas menores.
Na área de ESG (Ambiental, Social e de Governança), o Brasil fez progressos significativos nos últimos dois anos. O país criou o CBPS (Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade) para coordenar a convergência com os padrões internacionais do ISSB. As novas normas técnicas NBC TDS1 e TDS2 estão atualmente em consulta pública, com adoção voluntária prevista para 2025 e adoção obrigatória planejada para empresas listadas e de grande porte a partir de 2026-2027.
Navegando pelo complexo sistema tributário brasileiro
Cristiane Pacheco, sócia da área tributária da MCS Markup, abordou um aspecto pelo qual o Brasil é infelizmente conhecido mundialmente: um sistema tributário extremamente complexo. As empresas enfrentam diferentes impostos nos níveis federal, estadual e municipal, com mais de 5.000 municípios, cada um com legislação e alíquotas potencialmente distintas.
As empresas brasileiras gastam, em média, 1.500 horas por ano com relatórios fiscais e contábeis — o triplo da média global de 500 horas. Essa complexidade foi o principal fator que motivou a reforma tributária abrangente do Brasil, que representa a mudança mais significativa no sistema em 30 anos.
A reforma tributária de 2026–2033: uma transformação histórica.
A reforma substituirá os atuais impostos sobre o consumo (IPI, PIS, COFINS, ICMS e ISS) por três novos impostos:
A implementação ocorre após um período de transição de oito anos, sendo 2026 um ano de teste em que as empresas devem cumprir os novos requisitos de faturamento sem pagar os novos impostos.
A implementação completa ocorrerá gradualmente, com o CBS substituindo o PIS e o COFINS em 2027, e o IBS substituindo o ICMS e o ISS entre 2029 e 2033. Esse período de transição será particularmente desafiador para as empresas brasileiras, exigindo a dupla conformidade com os sistemas antigo e novo simultaneamente.
Relatórios ESG
O Brasil estabeleceu recentemente uma estrutura nacional (CBPS) para alinhar os relatórios de sustentabilidade aos padrões globais do ISSB. Novas normas de divulgação de sustentabilidade — baseadas nos equivalentes IFRS S1 e S2 — tornaram-se voluntárias em 2025 e serão obrigatórias para empresas listadas em bolsa até 2026-2027, incluindo requisitos de auditoria independente.
Isso coloca o Brasil em uma trajetória semelhante à da Europa e de outros mercados líderes, criando uma nova demanda por serviços de relatórios ESG, garantia de qualidade e governança de dados.
Tecnologia e transformação digital
Felipe Rosa, sócio de Inovação e Tecnologia da MCS Markup, apresentou a poderosa infraestrutura digital do Brasil. Três grandes sistemas transformaram as operações financeiras:
PIX : um sistema de pagamentos instantâneos que processa mais de 2 trilhões de reais por mês, reduzindo o prazo médio de recebimento (DSO) e permitindo a conciliação em tempo real.
Open Finance : mais de 62 milhões de contas ativas com APIs seguras de compartilhamento de dados para processos automatizados de caixa e auditoria.
SPED : contabilidade totalmente digital, declaração de impostos e faturamento eletrônico, permitindo dados financeiros legíveis por máquina e automação avançada.
Esses sistemas reduzem os custos operacionais, aceleram a conciliação e permitem a auditoria em tempo real. A MCS Markup desenvolveu soluções de software como serviço (SaaS) que aproveitam essa infraestrutura, incluindo ferramentas para conformidade com o IFRS 16 em contratos de leasing, conversões de arquivos governamentais e centralização de dados fiscais.
O Brasil oferece crescimento, mas exige habilidade para navegar.
À medida que o Brasil moderniza seus sistemas regulatório, tecnológico e tributário, o mercado se torna mais acessível, mas também mais complexo. Os membros da PrimeGlobal que aproveitam parcerias locais com empresas como a MCS Markup para lidar com as complexidades regulatórias, mantendo os padrões internacionais, estarão bem posicionados para a próxima década de crescimento.
Fonte: https://www.primeglobal.net/news/doing-business-in-brazil-key-insights-for-international-accounting-firms
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